Seja bem-vindo.

NOVOS CÓRDÉIS

25/12/2017


Uma freira diferente


Este fato que vou contar
Parece até brincadeira
Foi o caso de um motorista
Que deu carona a uma freira
Pois um fetiche ele tinha
Era beijar uma irmãzinha
Uma tara verdadeira

Ele disse irmãzinha
Uma coisa eu vou pedir
Não quero que se ofenda
E nem pense em fugir
Quero beijar sua boca
Esta é uma vontade louca
Eu não posso resistir

Ela disse: Isto não é problema
Vejamos o que posso fazer
Para que isto aconteça
Só depende de você
Três coisas eu vou te pedir
Você tem que consentir
Pra fazer por merecer

Você tem que ser solteiro
Este é o primeiro pedido
Ser torcedor do Ceará
Isto é caso resolvido
Católico também tem que ser
Pra depois não vir dizer
Disto não fui prevenido

O motorista ficou animado
E foi logo respondendo
Nunca casei na minha vida
Sou católico não me arrependo
A senhora pode acreditar
Eu torço pelo Ceará
Mesmo meu pai não querendo

A freira disse: pare o carro
Pertinho daquela praça
Seja muito romântico
Quero que me satisfaça
Porém ele não sabia
Que aquele beijo seria
Uma verdadeira desgraça

Depois de alguns minutos
Ele começou a chorar
Dizendo irmãzinha querida
Você tem que me perdoar
Sou um grande mentiroso
Meu ato foi vergonhoso
Agora vou ter que falar

Eu torço pelo Fortaleza
Nunca torci Ceará
Eu sou um homem casado
Tenho filhos pra criar
Sou Evangélico desde criança
Perdoe-me pela lambança
Não pude me controlar

A freira disse: Também menti
E começou a sorrir
Venho de um baile de fantasia
Não sou freira, sou travesti
Só pra você não me esquecer
O meu nome é Iberê
E torço pelo Avaí

27/10/2017


O mundo é bão Sebastião


Esta estória eu vou narrar
Com muita satisfação
Uma saga intrigante
Do amigo Bastião
Que partiu pra pauliceia
Transformando em epopeia
E me enchendo de emoção

A mudança para São Paulo
Ocorria com freqüência
Ele teve que partir
Mas fez com muita prudência
Deixando aqui a lembrança
Levou consigo a esperança
Da divina Providência

À sua mãe dona Diolência
E a seu pai Sebastião
Com os olhos mareados
Pedia sua benção
Tenham lembranças de mim
Deixo Quixeramobim
Com o coração na mão

Os irmãos já tinham ido
Bastião em euforia
O primeiro a partir
Foi o mano Zé Maria
Depois partiu Manoel
Cornélio seguiu o tropel
E por fim Nilza partia

Três dias de viagem
Uma tortura sem-fim
Para um garoto imberbe
Parecendo um serafim
Vida nova ele encara
Lá no Jardim Jabaquara
Sua viagem chega ao fim

À familia muito grande
Precisava ajudar
Sem medir nenhum esforço
Num hotel foi trabalhar
Por todos bem recebido
Recebeu logo apelido
Chamaram-no de Ceará

Era pau pra toda obra
Lá nos serviços gerais
Cada dia evoluía
Alegria dos demais
Mas surgiu lá um chefinho
De apelido mineirinho
Parecendo um capataz

Pegou no pé do garoto
Era só perseguição
Estava forçando a barra
Para uma demissão
Dia come outro não come
Outros passando fome
Sofreu muita humilhação

Depois de muito sofrer
Disse aqui não fico mais
Fez então uma provinha
Para a Eletroradiobras
Passou logo e foi chamado
Estava bem empregado
Estava feliz demais

Mas o destino queria
Que ele fosse algo mais
Provou para todo mundo
Do que ele era capaz
Outra chance ele viu
E logo se demitiu
Da Eletroradiobras

Fez concurso pra dois bancos
E nos dois ele passou
Crefisul ele queria
Banco Safra ele adorou
Crefisul era demais
O Safra pagava mais
Neste banco ele ficou

Começou como Office-boy
Mas aos pouco foi crescendo
Seu progresso era latente
Todo mundo estava vendo
O garoto miudinho
De apelido tiquinho
A todos foi convencendo

Uma luta dolorosa
Estudar e trabalhar
Além de tudo isso
Já pensava em se casar
Escolástica a escolhida
Desde logo a preferida
Quis voltar pro Ceará

Casou-se numa semana
Na outra já se mudou
Os planos para a mudança
Com o gerente arranjou
Iam abrir uma agência
Isso era uma emergência
Pra terrinha ele voltou

Do banco se aposentou
Com trinta e cinco anos
Mas parar de trabalhar
Nunca esteve nos seus planos
Da política ativista
De partido é petista
Inimigo dos tucanos

Diante de tudo dito
Quero aqui agradecer
Por você ser meu amigo
Pela chance de escrever
Este cordel honrado
Que aqui vai publicado
Você fez por merecer

21/10/2017


Os sabores das mulheres


Todo gosto é discutível
E agora eu vou mostrar
Os sabores das mulheres
Que agradam o paladar
Aproveitei um sambinha
Construí minhas riminhas
Sei que todos vão gostar

Veja a mulher lagosta
Uma coisa que alucina
Só come quem tem dinheiro
Pois lagosta é coisa fina
Pobre sabe como é
Só come sua mulher
Ou a sua concubina

Veja a mulher caviar
Só se conhece de nome
Muito se houve falar
Mas só o rico é que come
Pobre que tenta comer
Não sabe o que fazer
Se lambuza e passa fome

Tem a mulher bacalhau
Com seu cheiro especial
Come-se uma vez por ano
Ou na páscoa ou no natal
Se comer mais do que isso
Fica logo doentiço
Vai parar num hospital

Tem a mulher camarão
Gostosa de saborear
Tem titica na cabeça
Mas é boa pra danar
Esta o pobre aproveita
Depois que come se deita
E se põe logo a roncar

Conheça a mulher Kibe
Dos haréns do além-mar
Não sabendo a procedência
Vá comendo devagar
Se não for a verdadeira
Pode dar uma caganeira
Nem dá tempo de limpar

Pra comer mulher sushi
Tem que ter delicadeza
É preciso dois pauzinhos
Pois a moça é japonesa
Pra comer com um só pau
Use um molho especial
Tem que ter muita destreza

Tem também a mulher pizza
Motoboy entrega em casa
Ela chega um pouco fria
Mesmo assim tu mandas brasa
No dinheiro ou no cartão
Você tem esta opção
Ou então vai pro serasa

A mulher pão de forma
Não tem graça e é quadrada
Ou você come ela logo
Ou então fica mofada
Para não fazer besteira
Conserve na geladeira
Pois é melhor do que nada

Conheça a mulher marmita
O rango do operário
Ele não tem opção
É de acordo com o salário
Ou então divide o pão
Que é uma boa opção
Pro peão que é solidário

Veja a mulher mocotó
Deixa o velho uma rocha
Mais barato que viagra
O coroa nunca brocha
É o no peito e na raça
O que vier ele traça
Ou velhinha ou cabrocha

A mulher frango assado
O seu cheiro tem poder
Temperada e com farofa
Já vem pronta pra comer
Com osso ou desossada
Ela já vem preparada
Não tem mais o que fazer

A mulher cachorro-quente
Sempre tem algum recheio
Ela leva ketchup
A salsinha vai ao meio
Se quiser mais temperada
Pode até botar mostarda
Coma logo sem receio

Se quiser mulher jiló
É amarga mais se come
Esta é uma opção
Pelo menos mata a fome
Se ela for do seu agrado
Você fica saciado
Não tem cabra que a tome

Saiba que a mulher chuchu
Sempre dá o ano inteiro
No mercado ou na feira
Na serra ou no oiteiro
Quem comprar vai degustar
Escolhe pra onde levar
Para casa ou pro puteiro

Tem a mulher sorvete
Refrescante e geladinha
Pode ser de qualquer fruta
Tem que ter a lambidinha
Você chupa onde quiser
Ou deitado ou em pé
Ou no copo ou na casquinha

Tem a mulher miojo
Que é bem fácil de fazer
Leva apenas dois minutos
E está pronta pra comer
Tem sabor oriental
De sabor sensacional
Você come pra valer

Lembre que a mulher caju
A castanha é pendurada
Todo mundo reconhece
O volume da danada
Não sei como o Ronaldinho
Que é muito espertinho
Não desconfiou de nada

Saiba que a mulher goiaba
É gostosa cem por cento
Apesar de bem saudável
Dá o bicho com o vento
Para mim não tem problema
Eu encaro este dilema
Sou predador truculento

A mulher moranguinho
Vermelhinha de arrasar
Sempre antes de comer
Acho bom você lavar
Quando ficar bem limpinha
Dê aquela mordidinha
Pra você se deleitar

Tem a mulher melancia
Bundão de tirar o chapéu
Mexendo daquele jeito
Se eu a pego dou o créu
Posso até ser castigado
Mas com ela ao meu lado
Parece que estou no céu

A mulher churrasquinho
No espeto é um barato
Pensando em filé mignon
Já comi carne de gato
Aprendi a diferença
Ao sentir sua presença
Eu apuro meu olfato

Conheça a mulher buchada
Comida lá do nordeste
No forró é arretada
Mulher de cabra da peste
Satisfaz o sertanejo
Realiza seu desejo
Nesta o homem investe

Tem a mulher rodízio
Muita carne pra escolher
Você fica entupido
Mas não para de comer
Come à tarde e come à noite
Mesmo o frio sendo açoite
Come até o amanhecer

Toda mulher chimarrão
Só come quem é gaúcho
Com o frio lá do sul
Logo o pinto fica murcho
Mas gaúcho é fanfarrão
Bota a toalha no chão
Come até encher o bucho

Tem a mulher vatapá
Carregada de dendê
O baiano devagar
Não tem pressa de comer
Se fosse um cearense
Mesmo antes que ela pense
Já saber o que fazer

Tem a mulher pimenta
Quando como me acabo
Queima a boca quando entra
Na saída arde o rabo
Mas gosto de mulher assim
Que não tem pena de mim
É quente que só o diabo

Saiba que a mulher limão
É azeda e invocada
Chupa sem fazer careta
Não tem medo de porrada
Dando nela uma apertadinha
Sai até uma caipirinha
Ou então uma limonada

Saiba que a mulher rabada
Você come com paixão
Lambe os beiços come o rabo
Com batata e agrião
Mas não entre em desespero
Se não houver tempero
Você come com limão

Se for a mulher cebola
Você pega qualquer hora
Quando decide comer
Não tem jeito você chora
Come e chora, chora e come
Com fome ou sem fome
Pega firme e devora

A mulher cafezinho
Você pega quando passa
Não precisa nem pagar
Quase sempre é de graça
Tem na rua do mercado
Tem na barraca ao lado
Tem no botequim da praça

E a mulher cachaça
Doidona como ela só
Depois da terceira dose
Solta logo o fiofó
De todas que já citei
De todas que já provei
Para mim esta é a melhor

Cordel adaptado de um samba do Poeta e cantor Dicró.

31/01/2017


Carro, chuva e amor


Uma cerveja gelada
Uma conversa no barzinho
Planejei bem direitinho
Estava armada a cilada
Ela começou calada
Mas depois foi se soltando
O gelo foi se quebrando
Era tudo que eu queria
Imaginando o que viria
Meu tesão já aflorando

Um papo apimentado
Começou logo a rolar
Ela ria sem parar
Parecia está gostando
Meu tesão foi aumentando
Parece que ela notou
Minha mão ela pegou
Depois deu uma apertadinha
Liberou uma risadinha
E de mim se aproximou

Primeiro rolou um beijo
Depois foi a pegação
Eu senti sua pulsação
Pressenti o seu desejo
Aproveitei o ensejo
Resolvi logo falar
Não dá mais para esperar
Meu amor vamos pro carro
Depois de tirar um sarro
Cuidaremos de amar

Tudo estava conspirando
O tempo logo fechou
Pouco tempo demorou
E a chuva estava rolando
Eu fui logo me animando
E pro carro fui correndo
Eu querendo ela querendo
Sua roupa ela tirou
No meu colo ela sentou
Suspirando e gemendo

Pouco tempo demorou
Chegamos a exaustão
Com a chuva em profusão
Eu gozei ela gozou
Ela se realizou
Ao delírio eu cheguei
Ao pouco me levantei
Com meu corpo extasiado
Ela estava ao meu lado
Meu sonho realizei

02/12/2016


Sem nossa Chape querida


O destino a Deus pertence
Diz o ditado popular
Quem poderia imaginar
Que seria assim nonsense
Uma tragédia que nos vence
Viagem sem despedida
Para quem perdeu a vida
Tudo isso aconteceu
O Brasil amanheceu
Sem nossa chape querida

Acabou-se um time inteiro
Faleceram jornalistas
Dizem as capas das revistas
Um desastre verdadeiro
Sangra o povo brasileiro
Por uma lança desferida
Numa equipe aguerrida
Que pra nós nunca morreu
O Brasil amanheceu
Sem nossa chape querida

Chora pátria pungente
Lamenta os entes queridos
Pranteia os filhos perdidos
Não esquece tua gente
Levanta, vai em frente
Nunca se dê por vencida
Tu serás fortalecida
Pelo pranto que verteu
O Brasil amanheceu
Sem nossa chape querida

25/08/2016


Os oitenta anos de Dona Ilda


Ilda Emidio Monteiro
Que rara felicidade
Chegar a esta idade
E completa por inteiro
Nosso Deus te abençoou
Desde os tempos de menina
E também te coroou
Com bondade cristalina
Tem a proteção divina
Quem aos oitenta anos chegou

Agradeça ao criador
A saúde que ele deu
A senhora mereceu
Este prêmio com louvor
Dificuldades enfrentou
Desde quando pequenina
Até Deus elogiou
Sua garra feminina
Tem a proteção divina
Quem aos oitenta anos chegou

Pra chegar a esta idade
Da maneira que chegou
É prova de que lutou
Com muita dificuldade
Tudo que já conquistou
Foi trabalho de surdina
Com sua braveza mostrou
Muita garra e disciplina
Tem a proteção divina
Quem aos oitenta anos chegou

Feliz do filho que tem
Uma mãe tão poderosa
Divina e alterosa
Amiga como ninguém
Nunca nos abandonou
Fez da luta uma rotina
Com seu nome nos honrou
Pela força que domina
Tem a proteção divina
Quem aos oitenta anos chegou

06/07/2016


Rimas de vaquejada


Minha mãe quando eu morrer
Não quero choro nem nada
Quero uma jaqueta de couro
E uma camisa encarnada
Pra quando eu chegar ao céu
Me lembrar do escarcéu
Que eu fazia em vaquejada

Na vaquejada o vaqueiro
Tem três dias de lazer
A rede armada na sombra
Mulher pra lhe dar prazer
Cavalo bom pra montar
Forró do bom pra dançar
E cachaça boa pra beber

Se eu sair do meu sertão
E viajar pra bem distante
Vou lembrar a todo instante
Das perneiras e do gibão
Vou deixar de ser vaqueiro
Nunca mais serei guerreiro
Das terras de lampião

Nasci na baixa da égua
Me criei no meio do mundo
Tirei carta de malandro
Certidão de vagabundo
Dos pilantras acho graça
Pois só deixo de beber cachaça
Quando o copo cair o fundo

Quando eu ficar bem velhinho
E boi não puder correr
Vou passar para o meu filho
E pros netos depois saber
Que um dia eu já botei boi
E saberem todos que foi
Bonito pra nêga ver

Sou vaqueiro do nordeste
Puxar boi é meu destino
Sou o rei da vaquejada
Puxo boi desde menino
O que foi de bom garrote
Segurei pelo cangote
Derrubei pelo caminho

Meu destino é ser vaqueiro
Eu nasci para aboiar
Correr boi na vaquejada
Da poeira levantar
Não adianta dar estudo
Pra vaqueiro cabeçudo
Que nasceu pra galopar

Por causa de uma morena
Vaqueiro eu deixei de ser
Vendi o cavalo e a sela
E com ela fui viver
Joguei tudo para o lado
Esqueci que sou casado
Não nasci para sofrer

Vou partir para distante
E a morena vou levar
Porque é ela nova e bonita
Eu não posso abandonar
Qualquer homem se condena
Com um beijo de uma morena
Quando ela sabe beijar

A pinga é filha da cana
E neta do Satanás
Acaba o pai de família
Desmoraliza o rapaz
Setenta capeta juntos
Aliados a dez defuntos
Não faz o que a pinga faz

Na vaquejada tudo é destino
Boi na faixa ou eu no chão
Quando entro numa pista
Eu entro de coração
Esqueço até a mulher amada
Pois correr em vaquejada
É viver com emoção

Meu esporte é vaquejada
Amo mesmo de paixão
Todo dia eu deito e sonho
Botando o gado no chão
Acordo no outro dia
Radiante de alegria
Pra viver nova emoção

Ser vaqueiro é ser artista
Derrubar boi é uma arte
Correr numa vaqueijada
Da minha vida faz parte
Quando o boi está chão
Eu me encho de emoção
Levanto meu estandarte

O vaqueiro nasce forte
Tem a munheca pesada
Corre boi na pista estreita
E vibra com vaquejada
Por que sem festa de gado
E sem mulher ao seu lado
Vaqueiro não vale nada

Meu cavalo e minha mulher
Caíram num poço profundo
O cavalo eu tirei logo
Em menos de um segundo
A mulher eu deixei lá
Porque eu sei que vou encontrar
Muitas delas pelo mundo

Meu esporte é vaquejada
Meu cavalo é Alazão
Quando encosto na cancela
Bate forte o coração
Quando o boi é liberado
Passo a volta apressado
Resultado é boi no chão

Beber não é meu vício
Bebo não é por nada
Bebo por ver no copo
A foto da morena amada
Bebo por eu ter pena
E medo que a morena
Morra no copo afogada

A mulher quando é bonita
Pelo andar se conhece
Quando pisa na cidade
A terra toda estremece
O velho diz que beleza
Seria minha realeza
Se papai do céu me desse

A Mulher quando é bonita
Ela tem o seu valor
Deixa o homem enfeitiçado
Gemendo sem sentir dor
Sonha com ela na cama
Dizendo você me ama
Me mata fazendo amor

Se pai do céu me desse
Três coisas eu queria
Um cavalo bom de gado
Uma fazenda na Bahia
Uma égua que eu gostasse
Uma morena que me amasse
E beijasse todo dia

Minha mulher e meu cavalo
Fugiram no mesmo dia
Do cavalo sinto saudade
Da mulher sinto alegria
Pois cavalo bom pra montar
É difícil de encontrar
Mas mulher tem todo dia

Na vaquejada tem que ter
Sempre um bom sanfoneiro
Um carro de som potente
Um repentista toadeiro
Um locutor de inscrição
E uma mulher do cabelão
Pra alegria do vaqueiro

Saio de casa na quinta
Dirigindo o caminhão
Na sexta vou ao forró
E caio na curtição
No sábado uma descansada
No domingo é vaquejada
Pra deitar gado no chão

O patrimônio de um vaqueiro
É um bom chapéu de couro
Um troféu da cor de ouro
Um cavalo altaneiro
Soltar boa gargalhada
Correr numa vaquejada
Essa é a sua diversão

Quero morrer sem flores
Nem velas no meu caixão
Quero uma jaqueta encourada
Uma espora e um gibão
Quero espinhos na coroa
Para ser lembrança boa
Dos tempos que fui peão

Vaquejada é minha vida
Minha paixão é muié
Só bebo cachaça pura
E freqüento candomblé
E para eu ser bem lembrado
Eu quero ser enterrado
No meio do cabaré.

Vaquejada é minha vida
O boi é a minha paixão
Coragem eu tenho de sobra
Pra colocar boi no chão
Por isso vivo animado
Pois vaquejada, cavalo e gado
Moram no meu coração

Se um dia faltar gado
O meu desgosto é profundo
Se um dia faltar mulher
Será meu desgosto segundo
Mas se vaquejada faltar
Bem alto eu vou gritar
Deus pode acabar o mundo

Quando eu tinha 15 anos
Meu pai veio me perguntar
Meu filho diz teu desejo
Que eu quero te ajudar
Quero um cavalo arreado
Pois nasci pra puxar gado
Respondi sem nem piscar

Sou vaqueiro do nordeste
Minha vida é campeá
A porta do meu destino
É a porteira do currá
Meu aboio é um grito triste
Pelo mundo todo persiste
Que alegra e faz chorar

Gosto de derrubar gado
De ver a poeira subir
Meu prazer é puxar boi
E ver o gado cair
É um prazer que me consome
O povo gritar meu nome
E a multidão aplaudir.

Gosto de ver e adoro curtir
O cabra que é bom de gado
Correr na sela deitado
Sem deixar o boi fugir
Com o boi preso na mão
Na faixa dando-lhe um puxão
Vendo a poeira subir

Uma festa que dou valor
É festa de vaquejada
Uma bonita toada
E beijinhos no meu amor
Curto festa de mourão
Gado caindo no chão
E um vaqueiro puxador

A loira me dava carinho
Mas vivia sempre carente
Conheci uma morena
Dessas muito independente
Por causa dessa morena
Deus de mim tenha pena
Mudei tudo de repente

Os meus carros luxuosos
Causam inveja a muita gente
Só tomo wiskey importado
Não bebo mais aguardente
Pra falar com precisão
A loira me dá tesão
A morena me dá presente

Há coisas nessa vida
Que nunca posso deixar
Correr boi, dançar forró
Beber cachaça e raparigar
E por eu não ter compromisso
Só largarei tudo isso
No dia que Deus me levar

Confirme e nunca diga talvez
Homem que bebe pinga
Cachorro que come ovo
Mulher que dá a primeira vez
Por mais que estude profundo
Não tem doutor neste mundo
Que tire o vicio dos três

Vaqueiro não tem conforto
Como muita gente tem
Trabalha ganhando pouco
Não aprende a falar bem
Mas vive do jeito que gosta
Derruba gado, faz aposta
Sem ter inveja de ninguém.

Vou dizer o que é putaria
Aprenda e não discuta
Não é o que você pensa
É um caminhão cheio de puta
Um viado no volante
Uma lésbica como amante
E um corno que não escuta

Nunca me assombro com nada
Sou um homem destemido
Coragem eu tenho de sobra
Sou esperto e atrevido
Se gostar de mulher for pecado
Reze por mim um bocado
Pois acho que estou perdido

No tempo que eu vadiava
Todo mundo me queria
Bebia, pintava o sete
Fumava, jogava e fudia
Hoje que não bebo mais
Nenhum amigo é capaz
De me ofertar um bom dia

Voltarei logo a fumar
Beber, jogar e fuder
Que é pra todo mundo ver
E saber me respeitar
Pois quem bebe fuma e fode
Tem dinheiro e tudo pode
Ninguém chegue a duvidar

Deixei de beber cachaça
Porque ela me ofendia
Onde eu bebia, eu sentava
Onde eu sentava, eu caia
Onde eu caia, eu deitava
Deitava e não levantava
Não levantava e dormia

Canta o galo no terreiro
Na selva manda o leão
O homem manda na casa
No mar manda o tubarão
A mulher que é minha amada
E festa de vaquejada
Mandam no meu coração

Ela de saia pra cima
Eu de calça pra Baixo
O começo é euforia
O final é só relaxo
Mulher perde a virgindade
Se ela sentir de verdade
O poder do meu abraço

Vida de gado é assim
No parque de vaquejada
O vaqueiro recebe aplausos
Vindos da arquibancada
O boi é sempre atração
O vaqueiro o campeão
Nesta árdua empreitada

Fonte: http://vaquejada2013.blogspot.com.br/ p/frases-de-vaqueijada.html


Adaptadas para cordel por mim




16/05/2016


A carta de Getúlio Vargas


Chegou ele ao Catete
Numa manhã sombria
Cantava um pintassilgo
Acordava uma cotia
Era final de agosto
Parecia bem disposto
Ao trabalho rotineiro
À noite foi se deitar
Não antes de escutar
O seu fiel camareiro

De repente um estampido
No quarto do presidente
Deram logo de cara
Com uma cena deprimente
Os braços postos em cruz
Pedindo perdão a Jesus
E o revolver bem ao lado
Diante do exposto
Getúlio estava morto
O fato foi consumado

Encontraram ao seu lado
Uma carta-testamento
Muito bem redigida
Expondo o seu tormento
Na carta ele dizia
Tudo que ele queria
Qual a sua intenção
Numa luta incessante
O povo leve adiante
A sua libertação

Ele estava pressionado
A entregar o poder
Estava desesperado
Não sabia o que fazer
Tinha grupos nacionais
E também internacionais
Inimigos ocultos
Querendo sua derrota
Fazendo-lhe chacota
Atirando-lhe insultos

Mas ele era valente
Um defensor do povo
Um líder martirizado
Querendo um mundo novo
Uma vez renunciei
Para o povo eu voltei
Pra luta continuar
Contra toda opressão
Resistindo a pressão
Ninguém vai me derrotar

Estava sendo acusado
De atentado de morte
Contra Carlos Lacerda
Que escapou por sorte
Quem morreu foi Rubens Vaz
Porém Deus sabe o que faz
A Justiça o salvou
Mas sem apoio político
Já velho e raquítico
Para a morte apelou

Sufocam a minha voz
Diz um trecho da carta
Impedem minhas ações
Traição não descarta
Mantenho a rebeldia
Batalho noite e dia
Por um povo sofredor
Que vive humilhado
Triste e desamparado
Precisando de amor

Nesta luta desigual
Já me sinto exangue
Que mais eu poderei dar
A não ser o meu sangue
Se as aves de rapina
Que vivem na latrina
Querem a todos sugar
Ofereço a minha vida
Sem ter a despedida
Que a todos queria dar

Mantenham-se unidos
Atendam meu suplício
A bandeira da luta
Este é o sacrifício
De um povo devotado
O meu sangue derramado
É uma chama mortal
Da vossa consciência
Agindo com sapiência
Nesta luta contra o mal

Eu vos dei a minha vida
E vos ofereço a morte
Diante das agruras
Fui um homem de sorte
Vou para a eternidade
Sabendo que na verdade
Esta é a minha glória
Por ser justo e fiel
E estar neste cordel
Entrando para História

19/01/2016


A criação do homem




Existem certas pessoas
Carentes de entendimento
Que acham que não foi Deus
Que criou o casamento

A princípio lhes parece
Que não foi conveniente
Unir dois seres avessos
De fato bem diferentes

Mas nós que somos cristãos
E temos boa memória
Conhecemos muito bem
Como surgiu essa história

Adão andava ocupado
Trabalhando com capricho
Se esforçando o dia inteiro
Pensando em nome de bicho

Era tigre, porco, tatu e leão
Adão andava inspirado
E foi mesmo abençoado
Com tanta imaginação

E é possível que o sujeito
Também tenha reparado
Que todo animal macho
Tinha uma fêmea do lado

E o Senhor demais atento
Sondando-lhe o coração
Sentiu que era preciso
Dar um fim à solidão

E disse: “Adão, filho querido,
Não quero te ver tão só.
Far-lhe-ei uma companheira,
Da costela e não do pó”

E pondo Deus em ação
Aquilo que pretendia
Nocauteou o nosso Adão
Dando início à cirurgia

E Deus cerrou-lhe a costela
Pondo carne no lugar
E assim fez a princesa
Esperando ele acordar

Quando o varão despertou
Daquele sono pesado
O corte da cirurgia
Já tinha cicatrizado

Então Deus trouxe a varoa
E entregando-a a Adão
Ouviu um brado de glória
E a seguinte exclamação

“Ela é carne da minha carne,
Ela é osso do meu osso”
E Adão foi pra galera
E fez aquele alvoroço

A partir daquele dia
O homem bem mais ocupado
Deixou para trás muito bicho
Sem nome catalogado

E até hoje rola um papo
Machista e bem corriqueiro
Que o homem é mais importante
Porque foi feito primeiro

Algumas mulheres se irritam
E afirmam de arma em punho
Que a vida da obra prima
Vem sempre após o rascunho

Mas há também homens
Que falam e acreditam
Que Deus fez Adão primeiro
Para Eva não dar palpite

Mas isso é irrelevante
Para o sucesso da vida a dois
Para ser feliz não importa
Quem veio antes ou depois

Porque Deus fez tudo perfeito
E discorde quem quiser
Mas o melhor da mulher é o homem
E o melhor do homem, a mulher

Fonte: internet

04/10/2015


Mas sou melhor do que tu



Eu sei que sou desordeiro
Desonrador e tarado
Por Deus amaldiçoado
Trambiqueiro e maloqueiro
Neto de catimbozeiro
Parente de manitu
Filho de surucucu
Com gigolô de cortiço
Provo que sou tudo isso
Mas sou melhor do que tu.

Faço arrastão na praia
Roubando e marcando passo
Tudo o que vier eu traço
Entro no meio da gandaia
Tiro a calça e visto saia
Com pomba gira e exu
Faço o maior sururu
Na mãe de santo dou cheiro
Chifro o dono do terreiro
Mas sou melhor do que tu

Falo de tudo que vejo
Tudo o que não presta eu faço
Dou coice em vez de abraço
Dentada em lugar de beijo
Sou sangue de percevejo
Nascido em carandiru
Enguiço até urubu
Sou a caixa do azar
Lasco um só no olhar
Mas sou melhor do que tu

Sou todo cheio de pantim
Moleque de vida torta
Sou arrombador de porta
Xeleléu de mulher ruim
Pau d'água de botequim
Colete de couro cru
Espinho de caititu
Futucando uma pantera
Me casei com a besta fera
Mas sou melhor do que tu

Sou bebedor de cachaça
Assaltante e desertor
Caloteiro e impostor
Caço uma briga de graça
Bebendo no meio da praça
Tiro a roupa e fico nu
Fedegoso igual timbu
Gosto de fumar maconha
Pobre, liso e sem vergonha
Mas sou melhor do que tu

Entrei numa bebedeira
Casei em taba lascada
Com uma bicha desonrada
Que tinha vindo da feira
Fiquei cheio de gafeira
Pintado só cururu
Fiz o maior sangangu
Da mulher já apanhei
Toda venérea peguei
Mas sou melhor do que tu

Sou da pior catrevagem
Sou vendedor de muamba
Sou acabador de samba
Contador de pabulagem
No quadro da sacanagem
Ninguém quebra o meu tabu
Roubo mais que guabiru
Sou chefe de vagabundo
Pior do que todo mundo
Mas sou melhor do que tu

Quebrado que nem um caco
Com a vida pelo meio
Já estou de saco cheio
De viver enchendo o saco
Não posso ver um buraco
Sou igual a candiru
Fiz doutorado em rebu
Sou feroz e violento
Eu dou pontapé no vento
Mas sou melhor do que tu

Fonte: http://www.vagalume.com.br/biliu-de-campina/melhor-do-que-tu.html#ixzz3naazDJZy

22/09/2015


Versos e rimas populares - I


Por gostar muito dos ditados populares, fiz uma coletânea de alguns, adaptei-os, transformei-os em cordel e agora os estou postando. Espero que gostem.

Vou contar uma estória
Acredite se quiser
Atravessei o Rio Amazonas
Já briguei com jacaré
De banana comi dez cachos
Somente pra ficar nos braços
Daquela linda mulher

Há duas coisas na vida
Que só matam de repente
Vento frio pelas costas
Mulher nova pela frente
Mas o que não mata cura
Só encontra é quem procura
O amor da mulher da gente

Morena, quero que você seja
A azeitona da minha empada
Quero enxugar teu corpo
Quando chegar toda molhada
Durma comigo esta noite
Lá fora o frio é um açoite
Venha ser a minha amada

Tatu mora no buraco
Índio mora na aldeia
A mulher que tanto amo
O meu corpo todo incendeia
Se seu coração fosse delegacia
Eu acho que eu passaria
Minha vida na cadeia

Quem já tomou chuva
Não tem medo de sereno
Quem foi picado por cobra
Não tem medo de veneno
Pra quem foi abandonado
Por um outro ser trocado
Tudo é café pequeno

Pra quem já enfrentou leão
Touro brabo é bezerro
Namorar uma mulher feia
Não cometo este erro
Mas se este erro eu cometer
Juro que isto vai ser
Só depois do meu enterro

Na escola deste mundo
Eu não sou nenhum letrado
Sou igual a macaco velho
Nunca dou o pulo errado
Por isso só vou a uma festa
Quando a vontade se manifesta
Ou quando eu sou convidado

Chamaram-me de caipira
E eu tenho orgulho de ser
Tenho muito gado na fazenda
E muito whisky pra beber
Tenho puro-sangue pra desfilar
Manga-larga pra marchar
E quarto de milha para correr

Quando amanhece o dia
Sempre tenho o que fazer
Namoro uma loira cedinho
E uma morena ao entardecer
Quem me ver se admira
Também quer ser caipira
Com muito gosto e prazer

11/09/2015


Os bafejos da sorte


Como tinha prometido
Eu agora vou narrar
Um romance inusitado
Pra você se emocionar
Se da data não me engano
Foi bem no final do ano
Ela sempre vai lembrar

Eles já se conheciam
Há dez anos ou pouco mais
Ela tinha 15 anos
Ele já era rapaz
Voltaram a se encontrar
Para a todos nós mostrar
Do que o destino é capaz

Ele estava casado
Ela noiva de aliança
O encontro foi fatal
Renasceu uma esperança
Conversaram a valer
Da noite ao amanhecer
Esquecendo da festança

Todo dia se falavam
Viviam de ligações
As conversas demoravam
Assunto aos borbotões
Uma hora, duas ou mais
A conta mais de mil reais
Superando emoções

As datas corroboram
Com tudo que foi narrado
O desquite aconteceu
O noivado acabado
Março foi o mês fatal
Chegou tudo ao final
Tudo estava programado

Assumiram morar juntos
Um semestre decorrido
O desejo de ter filhos
Não passou despercebido
Com um ano engravidou
João Levi logo chegou
Um presente merecido

Seis anos se passaram
Entre tapas e beijos
Mas continuam felizes
Sempre cheios de desejos
Felizes e radiantes
Esperando confiantes
Da sorte os bafejos

14/08/2015


Nunca paro de lembrar


Naquela tarde cinzenta
Naquele quarto escuro
Meu desejo obscuro
Minha vontade sedenta
Por pouco não aguenta
A vontade de gozar
Tive que me superar
Para te satisfazer
Uma coisa eu vou dizer
Nunca paro de lembrar

Lembro aquela posição
Detalhe sempre presente
Que não sai da minha mente
Que aumenta meu tesão
Quero outra ocasião
Para te fotografar
E depois me deleitar
De amor e de prazer
Uma coisa vou dizer
Nunca paro de lembrar

05/07/2015


Bom Jesus do Itabapoana e seus tropeiros



Vou contar uma historinha
Bonita, viva e real
Lá do século dezenove
Num pequeno arraial
Conta a saga dos tropeiros
Esses homens altaneiros
Do Brasil colonial

É nesta bela cidade
Conhecida Bom Jesus
Do Itabapuana onde
O relato nos conduz
Na qual foi uma freguesia
Mas com muita alegria
Virou cidade de luz

Iluminada por Deus
Há quase um século ou mais
Quando foi colonizada
Pelos povos das Gerais
Chegaram todos em bando
E aqui foram ficando
Com homens e animais

A tradição perpetua
A memória não apaga
Ainda hoje respondo
Àquele que me indaga
Como tudo ocorria
Como era a alegria
De viver aquela saga

Homens, mulheres, crianças
Todos eles esperando
A passagem das tropas
Que aos poucos vêm chegando
O líder vinha na frente
Com seu cavalo imponente
Para todos acenando

Os moradores conheciam
Os tropeiros que chegavam
Bastava ouvir de longe
Os cincerros que tocavam
Uns diziam é Zé pretim
Ou então João Valentin
Que de cedo esperavam

Os cavalos elegantes
Com seus arreios dourados
Cabeçadas de níquel
E cincerros pendurados
Cavaleiros bem vestidos
Todos eles parecidos
Com deuses iluminados

Nas suas bolsas de cargas
Traziam eles de montão
Queijo, vinho e manteiga
Sal, tecido e sabão
Traziam pras criancinhas
As famosas rosquinhas
Pois causavam sensação

Os garotinhos pobres
Pra tirarem o ganha pão
Abriam as porteiras
Pra ganharem um tostão
Davam uma varredura
Pra encontrar uma ferradura
Que ficava pelo chão

As meninas mocinhas
Entregavam o coração
Àquele peão bonito
Que ficara rapagão
Um namoro infantil
Com traços de pueril
Com requintes de paixão

Seguiam o seu caminho
Pela rua dos mineiros
Levando pra outras plagas
Instintos aventureiros
Deixando na população
Saudades no coração
Daqueles belos tropeiros

** Parabéns a Bom Jesus do Itabapoana por conservar suas tradições e principalmente à Wanda Reiniger que teve a idéia de exaltar esta bela cidade através desta expressão popular.

29/05/2015


Pedro Gonzaga filho de Iaiá


Um fato curioso
Aos amigos vou narrar
Na feira de São cristovão
Onde eu fui visitar
Conheci uma pessoa
Muito mais que gente boa
Um papo de agradar

De pequena estatura
Mas de porte exemplar
Vendendo seu ganha-pão
Para quem ali passar
Abordou-me de mansinho
Com aquele seu jeitinho
Que ninguém pode negar

Cd`s de Luiz Gonzaga
Ele tinha pra vender
Dizendo ser seu filho
Com orgulho de se ver
Falando com emoção
Meu pai o rei de baião
Cabra macho pra valer

Seu nome Pedro Gonzaga
Cabrinha conversador
Contou logo a visita
Que fez ao Governador
O Cleirton muito riu
Adolfo se divertiu
Do baixinho prosador

O ilustre governante
Muito alegre o recebeu
Dizendo muito animado
O molequinho cresceu
Nas suas calças mijou
Depois que o abraçou
Como fosse um filho seu

Pegou logo o telefone
Pra sua esposa ligou
Recebi uma visita
Que muito me emocionou
Venha logo para cá
Pois o filho de Iaiá
Com a visita nos honrou

Amigo Governador:
Disse Pedro sorridente
Trouxe aqui um convidado
Vais ficar muito contente
Com uma voz de comando
Na sala foi adentrando
Luiz Gonzaga na frente

Foi entrando e cantando
Uma canção popular
Pedro Gonzaga a sorrir
Governador a chorar
Foi aquela animação
Pois o Rei do baião
Não parava de tocar

Para o seu aniversário
Pedro veio nos dizer
Quatro copos de cerveja
Para quem quiser beber
Disse o filho de Iaiá
Um braço de tamanduá
Para quem quiser comer

Este fato é verdadeiro
Você pode perguntar
Ao Adolfo ou a Lailinha
Ao Cleirton ou Edimar
Tem até fotografia
Feita como garantia
Pra qualquer que duvidar

13/03/2015


Heróis da escola



Nos livros que já escrevi
De vários temas falei
Para agradar meu leitor
Sempre procurei
Com o pensamento ligado
No mundo do abstrato
Com autoridade de um rei.

Pensei muito e pesquisei
Trabalhei bem a cachola
Escrevi esse cordel
Sei que ninguém me amola
É um tema emocionante
Tem um titulo interessante
-Heróis da Escola.

Os relatos aqui escritos
São verdadeiros posso provar
De pessoas que estudaram
Com vontade de realizar
Sonhos e idéias
E sem olhar para trás
Conseguiram chegar lá

Não é mentira o que escrevo
É uma pura verdade
Pessoas que batalharam
Estudaram com vontade
Das lutas não se ausentaram
Com muita força lutaram
Pra chegar á faculdade.

Lembro-me de uma colega
Não tinha nem um império
Sua mãe catou mamona
O negócio foi serio
A sua mãe batalhou
E sua filha formou
Na época pra magistério.

Em pleno mês de setembro
O sol quente, porém
Sua mãe catava mamona
Seu pai na enxada também
Trabalhava sem parar
Pra ver a filha formar
E um dia ser alguém.

A filha se formou
Começou trabalhar
Realizou seu sonho
Que era um dia ensinar
Fez faculdade também
Conseguiu e se deu bem
Pode acreditar.

Lá pelos anos 80
Estudar não era fácil não
Formar para magistério
Era uma boa opção
Hoje a coisa é diferente
Não é como antigamente
Melhorou na educação.

Prezado leitor
Preste me mais atenção
Contarei uma pequena história
Envolvendo a educação
De dois senhores que pra nós
Tem pinta de heróis
Aqui em nosso sertão.

-Seu Osvaldo e seu Calixto
Todo dia tá na lida
Resolveram estudar
Mesmo com a vida corrida
Foi uma luta danada
Mas, enfrentaram a jornada
Firmes de cabeça erguida.

Com mais de 60
Anos de idade
Muitos não entendiam
Falavam contrariedade
“Papagaio velho não fala mais”
Eles não olharam para trás
Estudaram com vontade.

Osvaldo um dia chegou
Pra Calixto disse então:
-Não quero estudar mais
Calixto respondeu não?
-Compadre tu deixa disso
Estudar é um compromisso
Que temos com a educação.

Osvaldo reanimou
Com a força que o compadre deu
Calixto ainda disse mais:
-o que será de eu
Ir sozinho de bicicleta
Osvaldo disse aquieta
Compadre o senhor venceu.

Osvaldo criou coragem
A coisa então melhorou
As viagens pra escola
Com certeza não parou
Daquele dia em diante
Osvaldo ficou confiante
O estudo continuou.

Foram alguns anos
Esforçando com cuidado
Mesmo na época das chuvas
Deram conta do recado
Estudaram e conseguiram
Por que persistiram
E o sonho tem se realizado.

Não foi fácil estudar
Concluir principalmente
Com ajuda de Deus
E da família certamente
Esses dois senhores do sertão
Formados hoje estão
Alegres e sorridente.

Esses dois são exemplos
Pra que não quer estudar
Achando que já é tarde
Tentando se desculpar
Se a desculpa for á idade
Digo com sinceridade
Essa não vai colar.

Conheci outro herói
Que sofreu pra chegar lá
Todo dia de bicicleta
Tinha que pedalar.
Tomava um cafezinho
Saia bem cedinho
Pra escola estudar.

Da sua casa pra escola
Demorava de chegar
Quase vinte quilômetros
Pra poder chegar lá
Quanto esse jovem sofreu
Mas todo esforça valeu
Por quê? Vou explicar!

Hoje ele é:
Um homem bem empregado
Trabalha na Petrobrás
Tem se destacado
Faz parte da engenharia
Presta um serviço em dia
Seu trabalho é aprovado.

Quem estuda enxerga longe
Tem uma grande visão
Basta apenas confiar
Ter Jesus no coração
E não fugir da parada
Porque nessa caminhada
Covarde não vence não.

Conheço tambem uma mãe
Que muito batalhou
Pra ver seu filho formar
Muito e muito ralou
De segunda a sexta feira
A semana inteira
Muita roupa lavou.

Foi numa época difícil
Não existia não
Maquina para lavar roupa
O jeito era na mão
Essa mãe padeceu
Mas o esforço valeu
Seu trabalho não foi em vão.

Hoje o filho não é rico
Mas tem casa pra morar
É professor concursado
E tem carro pra passear
Tudo isso aconteceu
Graças à mãe que sofreu
Pra seu filho estudar.

Aqui vai outro exemplo
Não é tarde estudar.
Irei contar outra passagem
Você irá gostar
É de um jovem lutador
Que sofreu, mas chegou
Onde queria chegar.

Foi pra escola já grande
Aos 10 anos de idade
Os colegas faziam chacotas
Naquela comunidade
As condições que tinha
Era pra lá de mesquinha
Ele sofreu de verdade.

Sua Irmã vendia batida
-“Caipirinha” aqui do sertão
Pra ver o mano estudar
Não foi moleza não
O resultado foi legal
Depois mudou pra capital
Longe de sua região.

Foi embora pra São Paulo
Chegando lá continuou
Seus estudos certamente
Com certeza não parou
Passou num concurso para delegado
Também para advogado
Esse jovem se formou

Quanto mais estudava
Ai que aumentava a vontade
Pegou gosto pela a leitura
Isso lhe trouxe felicidade
Trazia também no peito
Vontade de ser juiz de direito
E tornou realidade.

Aquele jovem que um dia
Começou estudar,
Já numa certa idade
Ninguém podia imaginar
Que um dia chegaria
Com bastante alegria
Onde queria chegar.

Conheço outra pessoa
Um cara decente
Desde criança
Sempre foi inteligente
Certo dia parou de estudar
Para poder trabalhar
Era assim antigamente.

Teve que deixa a escola
A coisa piorou
Depois de 23 anos
Pra escola retornou
Abraçou a oportunidade
E estudou com vontade
O ensino médio cursou.

Durante o dia trabalhava
A noite pra escola ia
Às vezes cansado
Perder aula não queria
Tinha um sonho a realizar
Um dia se transformar
Em um escritor de poesia.

Concluiu o ensino médio
Formação geral
Hoje vive da escrita
Na educação tem aval
Hoje é um escritor
Faz a coisa com amor
Seu trabalho é legal.

Já tem mais de dez obras
Escrito por sua mão
Muita historia escritas
É de chamar atenção.
Por onde sua obra passa
Com certeza cai na garça
No setor da educação.

Escreve seus cordéis
Divulga em todo lugar
No interior ou na cidade
Ele vai apresentar.
-Aqui pra nós
Esse cara é um herói
Deus vai lhe abençoar.

Vou contar mais outra história
Não é nenhuma invenção
É a história de um menino
Nascido aqui no sertão:
Que venceu na vida sim!
Nas coisas ruins
Não acreditava não.

Sempre gostou da Escola
Todo dia estava lá
Aprendeu rapidamente
Ler, escrever e contar
Era uma criança esforçada
Inteligente educada
Sempre em primeiro lugar.

Teve que catar mamona
Para poder estudar
Seus pais não tinham
Condições para comprar:
Material escolar
Nem merenda para merendar
A coisa era de amargar

Passou num concurso publico
Ficou bastante contente
Foi estagiar no BNB
Alegre e sorridente
No BNB estagiou
Quem mais lhe elogiou
Foi o senhor gerente.

Depois foi para São Paulo
Continuou estudar
Sonhava sempre um dia
Sua vida melhorar
A coisa não foi fácil não
Como sofreu esse cidadão
Para poder chegar lá.

Esse jovem conseguiu
Se realizar
Fez pedagogia
Sempre quis lecionar
Tornou professor de faculdade
Ficou feliz de verdade
Quando começou ensinar.

Depois fez doutorado
E na vida publica entrou.
O presidente Lula
Certo dia lhe convidou
Pra trabalhar no congresso
Ele disse: será que eu presto?
O convite aceitou.

Esse foi mais um herói
Que na vida venceu
Sabe por quê?
Nunca retrocedeu
Estudou sem desistir
A coisa é por ai
Desse jeito penso eu.

Conheço outra pessoa
Uma grande professora
É dona de uma escola
Mulher batalhadora
É uma grande mulher
Daquelas que tem fé
Uma excelente educadora.

Quando criança
Não foi fácil estudar
As condições financeiras
Não era de se alegrar
Sei que ela sofreu
Mas com muita fé em Deus
Conseguiu chegar lá.

Formou-se pra magistério
Depois fez pedagogia
Sempre firme nos propósitos
Dia e noite e noite dia
Sua vontade então
Trabalhar na educação
Com todo afinco alegria.

Com muita fé em Deus
Ela batalhou
Conseguiu o que queria
Um dia inaugurou
Uma Escolinha legal
E com o seu bom astral
Muita criança matriculou.

A sua Escola cresceu
Conseguiu chegar lá
Tudo isso por que
Nunca parou de lutar
Com muita perseverança
Em Deus muita confiança
Firme sem desanimar.

Vou contar outra historia
É bastante interessante
Não conheço os personagens
Mas é uma história brilhante
De um senhor aqui do sertão
Tem a ver com a educação
Uma historia emocionante.

Tem um pouquinho de comedia.
Pois bem, vou começar:
Um senhor aposentado
Resolveu estudar
Por nome de Severino
José da Silva Derino
Foi se matricular.

Sua esposa ficou contente
De alegria até chorou
Toda emocionada
Desse jeito assim falou:
“Pois não meu bem
Tu me vais eu vou tambem
“Nós inda vai ser doutor”.

“Que doutor que coisa ou que?
Parece até uma charada!
Que muié doida é essa
Não entende de nada?
Eu quero aprender a ler
Fazer conta e escrever
“Pra eu sair da enxada”

Então chegou o dia
De ir pra Escola estudar
Severino gritou muiééééé
Cuide pra não se atrasar
Se arrume e pronta ligeiro
Pois quero ser o primeiro
Na sala quero chegar.

Chegando lá na escola
Foi aquela admiração
Pois o nome do professor
Era Severino Sebastião
Severino disse: na hora
Os colegas vão me chamar agora
Severino da Conceição.

Conceição é o nome
É minha mulher adorada
Assim falou o professor
Nunca vi coisa tão engraçada
Conceição Maria então
Mora em meu coração
É minha esposa amada.

Vou deixar o professor
Pra continuar falando
Do nosso herói Severino
Que foi se acostumando
Pra escola todo dia
Ia cheio de alegria
Sorrindo alegre e cantando.

Seu Severino
Deu conta sim do recado
Com seis meses de escola
Estava todo animado
Ainda aprendeu a ler
Fazer conta e escrever
Oh que sujeito arretado.

Severino de uma vez
Sua enxada abandonou
Pôs uma barraca na feira
O negocio funcionou
O estudo na sua vida
Fez encontrar uma saída
Seu sonho realizou.

Severino aqui do nordeste
Nascido e criado no sertão
Filho de seu Manuel
Com dona Galvão
Se eu não me engano
Estudou quase um ano
E nos deixou uma lição.

Estudar nunca é tarde
É um verbo popular
Nesse verbo acredito
Posso comprovar
Se tu não acredita não
Diz-me com que razão
Tu irás eu explicar.

Vou terminar meu cordel
Dizendo para o leitor
Seja mais inteligente
Seja um sonhador
Procure ler e criar
Faça algo pra ao povo gostar
Você terá mais valor

O povo vai me chamar
Não gosto
Das coisas erradas
As coisas erradas
São de amargar
Cordel é minha praia
Os versos são meu lugar

Rima não é difícil
Deus me deu o dom de rimar
Escrevendo poesia e biografia
Lhe garanto: um dia chego lá

Author: Epaminondas Barbosa

Nasceu em Aguada Nova distrito de Lapão-Ba,em 15 de outubro de 1972, filho de Alberto José dos Santos e Raquel Barbosa dos Santos. Casado com Jacileide Barbosa de Souza é pai de uma linda filha Raquel de Souza Santos. Além de cordelista também é cantor e compositor evangélico.































Tem o curso do ensino médio completo e muita experiência em seu trabalho. Visita as escolas desde o ensino Fundamental I até o ensino médio e também faculdades; seu material é bem requisitado.



















Como cordelista já escreveu várias obras: (HERMENILSON O FILHO DE LAPÃO) (MILITÃO A HISTÓRIA DE UM HOMEM QUE TEM HISTÓRIA) ( RODAGEM LUTAS E CONQUISTAS) ( LIÇÕES PARA TODA HORA) (HISTORINHAS DA BIBLIA) (A HISTÓRIA DE MÃE LOU). (O QUE É O AMOR) (A SAGA DE JOÃO DOURADO) (MATO VERDE DE IBITITÁ, COMO COMEÇOU)...



















Nondas cordel seu nome artístico. Seu trabalho é bem divulgado nas escolas.


06/02/2015


Campanha eleitoral



Um senador do estado
Passou dessa pra melhor
Ou pra outra bem pior
Vou relatar o passado
Chegando o pobre coitado
Na porta do firmamento
São pedro disse: um momento
Tenha calma, cidadão!
Faça aqui sua opção
E assine o requerimento

Pois aqui tem governia
Tudo está no seu lugar
E você vai optar
Onde quer passar o dia
Depois com democracia
Me dará sua resposta
Fazendo a sua proposta
De ir pra o céu ou pro inferno
Viver de túnica, de terno...
Do jeito que você gosta!

E então o senador
Assinou a papelada
Descendo por uma escada
Entrou num elevador
E desceu com o assessor
Pra o inferno conhecer
Para depois escolher
Onde queria morar
E qual seria o lugar
Que escolheria viver

E no inferno ele viu
O campo todo gramado
Verdinho bem arrumado
Como um que tem no brasil
Um homem grande e gentil
Disse-lhe: eu sou o cão
Muito prazer meu irmão!
Aqui você é quem manda
E deu ordens pra que a banda
Tocasse outro baião

Encaminhou a visita
Para uma mesa repleta
Uma assessoria completa
Num alpendre em palafita
Uma assistente bonita
Cerveja, wisque e salgados.
Dinheiro pros carteados
Charutos bons e cubanos
Foi relembrando dos anos
E dos acordos fechados

Encontrou com os amigos
Dos tempos áureos de glórias
Relembrando as histórias
Que já haviam esquecidos
Wisques envelhecidos
Não paravam de chegar
Parecia um marajá
Jogando cartas e fumando
Mas já estava chegando
A hora dele voltar.

E então no elevador
Ele tornou a subir
Para então se decidir
E finalmente propor
Mas no céu o senador
Vê um cenário de paz
Com um sereno assaz
Anjinhos tocando lira
São pedro disse confira
Escolha e não volte atras

Era um silêncio danado
Sem wisque e sem cerveja
No máximo uma cereja
E ele já agoniado
Disse assim determinado
Já tomei minha decisão
Quero ir morar com o cão
Pois lá me sinto melhor
Não que aqui seja pior
É questão de opinião

São pedro disse pois bem
Pode ir pro elevador
Que logo meu assessor
Fará o que lhe convém
O senador disse amém
Já pensando no sucesso
Que seria o seu regresso
Para o quinto do inferno
Lá também seria eterno
E a tudo teria acesso

E assim que ele desceu
Numa imensa alegria
Sentiu logo uma agonia
Algo estranho percebeu
Atras desapareceu
A porta do elevador
A o pobre do senador
Só via fogo e tortura
Deu-lhe logo uma amargura
Era um cenário de horror

Nisso ia passando o cão
Deu-lhe uma chibatada
Sorrindo em gargalhada
E mexendo um caldeirão
E empurrou-lhe um ferrão
Deixando a testa ferida
E ele puto da vida
Disse: rapaz sou eu
O senador! se esqueceu?
Cadê aquela acolhida?

Eu peguei o bonde errado
Ou o cabra se atrapalhou
E para cá me mandou
Deve ter se enganado
Meu lugar é no gramado
Jogando golfe e fumando
Eu nada estou lhe cobrando
Foi você que ofereceu!!!!!!!!!!!
E o wisque? se esqueceu?
Eu devo está delirando

E o diabo a sorrir
Disse-lhe: seja bem vindo
E o que estás me pedindo
Eu não vou poder cumprir
Quando estivestes aqui
Naquela ocasião
Não era outra coisa não
Também não me leve a mal
Foi campanha eleitoral
E eu ganhei a eleição.

Author: Maviael Melo
http://maviaelmelo.blogspot.com.br/2008/06/campanha-eleitoral.html

14/08/2014


A cerveja é seu parente

 
Recebi um email
Por demais inteligente
Tratando nossa cerveja
Como fosse um parente
Não sou nenhum menestrel
Mas transformei em cordel
Este assunto excelente

Vou fazer o meu relato
Seguindo a hierarquia
A esposa querida
A Brahma logo seria
Este é um fato comum
Por ser a número um
Ela bem que merecia

Skol seria a amante
Por ser a mais gostosa
Além de ser suave
É fina e deliciosa
Eu falo e não escondo
Ela desce bem redondo
Ela é maravilhosa

Kaiser seria a filha
O detalhe não esqueça
Apesar de boazinha
Só dá dor de cabeça
Um bebedor não esquenta
Quando bebe ele enfrenta
A primeira que apareça

Bavaria seria a sogra
Já dizia o bebum
Por mais que ele tente
Não desce de modo algum
Ele fala consciente
Prefiro o aguardente
Com petisco de atum

A Schin seria então
Seu querido cunhado
Por mais que ninguém goste
Está sempre ao seu lado
No churrasco o dia inteiro
É sempre seu companheiro
Mesmo estando embriagado

Itaipava seria
A fiel rapariga
Está sempre ao seu lado
Dizendo ser sua amiga
Ninguém pode resistir
Mas nunca vai assumir
O casado que o diga

O famoso primo rico
A Heineken seria
Estar sempre ao seu lado
Numa mesa eu queria
Ao menos por um instante
Eu seria importante
E feliz eu ficaria

Por ser pura e suave
Bohemia seria a avó
No começo é docinha
Depois parece jiló
No começo diz que ama
No final sempre reclama
A ressaca é dar dó

A Antártica seria
A sua tia baranga
Que um dia já foi BOA
De biquíni ou de tanga
Mas hoje ela esquece
Que ela bem parece
O Cão chupando manga

27/12/2013


Uma greve lá no céu


Um dia chegando ao céu
Pedi licença para entrar
Um velhinho foi logo dizendo
Com o Dono tem que falar
Eu disse não tem problema
Se aqui não tem esquema
O senhor pode me ajudar

Ele perguntou: quem é você?
Parecendo meio gagá
O assunto é muito sério?
Poderia se identificar?
Falei: FISCAL DO TRABALHO sou
Vim da Terra e aqui estou
Para a "greve acabar"

O velhinho meio surdo
Ouviu foi "Alex Escobar"
Disse que era meu fã
E uma foto quis tirar
Dizendo é pro meu netinho
Ele tem apenas um aninho
Mas ele vai adorar
Eu disse: Não tem problema
Mas tenho que trabalhar
Por favor! Chame o patrão
Não me posso demorar
Meu chefe disse: volte breve
acabe logo com esta greve
Peça a Deus pra te ajudar

Deus ouviu nossa conversa
E resolveu intervir
Vamos trabalhar seu fiscal
São Pedro! não saia daqui
Vou te apresentar aos meus anjos
Dos Querubins aos Arcanjos
Comecemos por aqui

Era um grupo muito grande
Tinha mais de dois milhões
Tinha anjo de todo tipo
Dos pequeninos aos grandões
Eram eles que anotavam
As reclamações que chegavam
Da terra aos turbilhões

Apresentou-me a todos
Dizendo eu vou ser breve
Este é o FISCAL DO TRABALHO
Veio ver se aqui tem greve
Mas eu acho que ele desistiu
Pois diante do que viu
Multar ele não se atreve

Quando já íamos voltando
Um grupinho eu encontrei
Estavam todos cochilando
Eu acho que os assustei
A eles fui apresentado
Confesso que  encabulado
Pelo clima que causei

Deus foi logo explicando
Escute o que vou dizer
Estão um pouco sonolentos
Por não terem o que fazer
Eles fazem os apontamentos
De todos os agradecimentos
Que da Terra eu receber

Agora você entendeu
Porque tamanha distorção
De um grupo pequenino
Para um grupo tão grandão
Reclamações eu recebo demais
De agradecer ninguém é capaz
Eis a minha explicação

Antes de voltar para casa
Com São Pedro fui falar
Ele disse: Demorou pouco
Nem cafezinho quis tomar
Até logo, volte breve
Pois mesmo não tendo greve
Você vai ter que voltar

Diga ao povo lá da Terra
Pra Deus nunca esquecer
Que os anjos aqui do céu
Trabalham mesmo pra valer
Que parem um pouco de reclamar
Procurem a Deus agradar
Sem deixar de agradecer

01/10/2013


Jesus, Tu és diferente

 
Uma adúltera defendestes
Quando era apedrejada
A casa de um publicano
Por ti foi visitada
Por isso és diferente
De toda essa gente
De conduta desvairada

Tu perdoaste a Pedro
Quando ele precisava
Num momento de fraqueza
O próprio se condenava
Por isso és diferente
De toda essa gente
Que a ti crucificava

Uma viúva pobre
Por ti foi elogiada
Por toda vizinhança
Ela foi ignorada
Por isso és diferente
De toda essa gente
De vida atribulada

Resististe ao satanás
Nas maiores provações
Quando todos sucumbiram
Nas menores tentações
Por isso és diferente
De toda essa gente
Carente de orações

A Paulo fez um chamado
Para contigo seguir
Quando ele vivia
No mundo a te perseguir
Por isso és diferente
De toda essa gente
Que só pensava em fugir

Tu fugiste do sucesso
Respeitando sempre a lei
Quando o povo te queria
Para ser um novo rei
Por isso és diferente
De toda essa gente
Dos lugares que passei

Tua amaste os pobres
Com toda sua pureza
Respeitava os humildes
Com gestos de grandeza
Por isso és diferente
De toda essa gente
Que só buscava riqueza

Tu socorrias os enfermos
Por muitos abandonados
Tu curaste os leprosos
Por todos desenganados
Por isso és diferente
De toda essa gente
De modos estabanados

Tu morreste numa cruz
E por teu Pai clamava
No momento em que o povo
A páscoa festejava
Por isso és diferente
De toda essa gente
Que de ti nem se lembrava

Ressuscitaste da morte
Por ser privilegiado
Quando todos pensavam
Que estavas derrotado
Por isso és diferente
De toda essa gente
Que estava ao seu lado

Jesus eu te agradeço
Porque único tu és
Toda noite me ajoelho
Sempre orando aos teus pés
Por isso és diferente
De toda essa gente
Que não conhece um revés

DEIXE SEU RECADO

Nome

E-mail *

Mensagem *

VISITAS AO SITE

COPA DO NORDESTE

ÁREA PUBLICITÁRIA

Copyright © BLOG DOS CORDÉIS™ is a registered trademark.

Designed by Templateism. Hosted on Blogger Platform.