27/10/2017

O mundo é bão Sebastião


Esta estória eu vou narrar
Com muita satisfação
Uma saga intrigante
Do amigo Bastião
Que partiu pra pauliceia
Transformando em epopeia
E me enchendo de emoção

A mudança para São Paulo
Ocorria com freqüência
Ele teve que partir
Mas fez com muita prudência
Deixando aqui a lembrança
Levou consigo a esperança
Da divina Providência

À sua mãe dona Diolência
E a seu pai Sebastião
Com os olhos mareados
Pedia sua benção
Tenham lembranças de mim
Deixo Quixeramobim
Com o coração na mão

Os irmãos já tinham ido
Bastião em euforia
O primeiro a partir
Foi o mano Zé Maria
Depois partiu Manoel
Cornélio seguiu o tropel
E por fim Nilza partia

Três dias de viagem
Uma tortura sem-fim
Para um garoto imberbe
Parecendo um serafim
Vida nova ele encara
Lá no Jardim Jabaquara
Sua viagem chega ao fim

À familia muito grande
Precisava ajudar
Sem medir nenhum esforço
Num hotel foi trabalhar
Por todos bem recebido
Recebeu logo apelido
Chamaram-no de Ceará

Era pau pra toda obra
Lá nos serviços gerais
Cada dia evoluía
Alegria dos demais
Mas surgiu lá um chefinho
De apelido mineirinho
Parecendo um capataz

Pegou no pé do garoto
Era só perseguição
Estava forçando a barra
Para uma demissão
Dia come outro não come
Outros passando fome
Sofreu muita humilhação

Depois de muito sofrer
Disse aqui não fico mais
Fez então uma provinha
Para a Eletroradiobras
Passou logo e foi chamado
Estava bem empregado
Estava feliz demais

Mas o destino queria
Que ele fosse algo mais
Provou para todo mundo
Do que ele era capaz
Outra chance ele viu
E logo se demitiu
Da Eletroradiobras

Fez concurso pra dois bancos
E nos dois ele passou
Crefisul ele queria
Banco Safra ele adorou
Crefisul era demais
O Safra pagava mais
Neste banco ele ficou

Começou como Office-boy
Mas aos pouco foi crescendo
Seu progresso era latente
Todo mundo estava vendo
O garoto miudinho
De apelido tiquinho
A todos foi convencendo

Uma luta dolorosa
Estudar e trabalhar
Além de tudo isso
Já pensava em se casar
Escolástica a escolhida
Desde logo a preferida
Quis voltar pro Ceará

Casou-se numa semana
Na outra já se mudou
Os planos para a mudança
Com o gerente arranjou
Iam abrir uma agência
Isso era uma emergência
Pra terrinha ele voltou

Do banco se aposentou
Com trinta e cinco anos
Mas parar de trabalhar
Nunca esteve nos seus planos
Da política ativista
De partido é petista
Inimigo dos tucanos

Diante de tudo dito
Quero aqui agradecer
Por você ser meu amigo
Pela chance de escrever
Este cordel honrado
Que aqui vai publicado
Você fez por merecer

21/10/2017

Os sabores das mulheres

Todo gosto é discutível
E agora eu vou mostrar
Os sabores das mulheres
Que agradam o paladar
Aproveitei um sambinha
Construí minhas riminhas
Sei que todos vão gostar

Veja a mulher lagosta
Uma coisa que alucina
Só come quem tem dinheiro
Pois lagosta é coisa fina
Pobre sabe como é
Só come sua mulher
Ou a sua concubina

Veja a mulher caviar
Só se conhece de nome
Muito se houve falar
Mas só o rico é que come
Pobre que tenta comer
Não sabe o que fazer
Se lambuza e passa fome

Tem a mulher bacalhau
Com seu cheiro especial
Come-se uma vez por ano
Ou na páscoa ou no natal
Se comer mais do que isso
Fica logo doentiço
Vai parar num hospital

Tem a mulher camarão
Gostosa de saborear
Tem titica na cabeça
Mas é boa pra danar
Esta o pobre aproveita
Depois que come se deita
E se põe logo a roncar

Conheça a mulher Kibe
Dos haréns do além-mar
Não sabendo a procedência
Vá comendo devagar
Se não for a verdadeira
Pode dar uma caganeira
Nem dá tempo de limpar

Pra comer mulher sushi
Tem que ter delicadeza
É preciso dois pauzinhos
Pois a moça é japonesa
Pra comer com um só pau
Use um molho especial
Tem que ter muita destreza

Tem também a mulher pizza
Motoboy entrega em casa
Ela chega um pouco fria
Mesmo assim tu mandas brasa
No dinheiro ou no cartão
Você tem esta opção
Ou então vai pro serasa

A mulher pão de forma
Não tem graça e é quadrada
Ou você come ela logo
Ou então fica mofada
Para não fazer besteira
Conserve na geladeira
Pois é melhor do que nada

Conheça a mulher marmita
O rango do operário
Ele não tem opção
É de acordo com o salário
Ou então divide o pão
Que é uma boa opção
Pro peão que é solidário

Veja a mulher mocotó
Deixa o velho uma rocha
Mais barato que viagra
O coroa nunca brocha
É o no peito e na raça
O que vier ele traça
Ou velhinha ou cabrocha

A mulher frango assado
O seu cheiro tem poder
Temperada e com farofa
Já vem pronta pra comer
Com osso ou desossada
Ela já vem preparada
Não tem mais o que fazer

A mulher cachorro-quente
Sempre tem algum recheio
Ela leva ketchup
A salsinha vai ao meio
Se quiser mais temperada
Pode até botar mostarda
Coma logo sem receio

Se quiser mulher jiló
É amarga mais se come
Esta é uma opção
Pelo menos mata a fome
Se ela for do seu agrado
Você fica saciado
Não tem cabra que a tome

Saiba que a mulher chuchu
Sempre dá o ano inteiro
No mercado ou na feira
Na serra ou no oiteiro
Quem comprar vai degustar
Escolhe pra onde levar
Para casa ou pro puteiro

Tem a mulher sorvete
Refrescante e geladinha
Pode ser de qualquer fruta
Tem que ter a lambidinha
Você chupa onde quiser
Ou deitado ou em pé
Ou no copo ou na casquinha

Tem a mulher miojo
Que é bem fácil de fazer
Leva apenas dois minutos
E está pronta pra comer
Tem sabor oriental
De sabor sensacional
Você come pra valer

Lembre que a mulher caju
A castanha é pendurada
Todo mundo reconhece
O volume da danada
Não sei como o Ronaldinho
Que é muito espertinho
Não desconfiou de nada

Saiba que a mulher goiaba
É gostosa cem por cento
Apesar de bem saudável
Dá o bicho com o vento
Para mim não tem problema
Eu encaro este dilema
Sou predador truculento

A mulher moranguinho
Vermelhinha de arrasar
Sempre antes de comer
Acho bom você lavar
Quando ficar bem limpinha
Dê aquela mordidinha
Pra você se deleitar

Tem a mulher melancia
Bundão de tirar o chapéu
Mexendo daquele jeito
Se eu a pego dou o créu
Posso até ser castigado
Mas com ela ao meu lado
Parece que estou no céu

A mulher churrasquinho
No espeto é um barato
Pensando em filé mignon
Já comi carne de gato
Aprendi a diferença
Ao sentir sua presença
Eu apuro meu olfato

Conheça a mulher buchada
Comida lá do nordeste
No forró é arretada
Mulher de cabra da peste
Satisfaz o sertanejo
Realiza seu desejo
Nesta o homem investe

Tem a mulher rodízio
Muita carne pra escolher
Você fica entupido
Mas não para de comer
Come à tarde e come à noite
Mesmo o frio sendo açoite
Come até o amanhecer

Toda mulher chimarrão
Só come quem é gaúcho
Com o frio lá do sul
Logo o pinto fica murcho
Mas gaúcho é fanfarrão
Bota a toalha no chão
Come até encher o bucho

Tem a mulher vatapá
Carregada de dendê
O baiano devagar
Não tem pressa de comer
Se fosse um cearense
Mesmo antes que ela pense
Já saber o que fazer

Tem a mulher pimenta
Quando como me acabo
Queima a boca quando entra
Na saída arde o rabo
Mas gosto de mulher assim
Que não tem pena de mim
É quente que só o diabo

Saiba que a mulher limão
É azeda e invocada
Chupa sem fazer careta
Não tem medo de porrada
Dando nela uma apertadinha
Sai até uma caipirinha
Ou então uma limonada

Saiba que a mulher rabada
Você come com paixão
Lambe os beiços come o rabo
Com batata e agrião
Mas não entre em desespero
Se não houver tempero
Você come com limão

Se for a mulher cebola
Você pega qualquer hora
Quando decide comer
Não tem jeito você chora
Come e chora, chora e come
Com fome ou sem fome
Pega firme e devora

A mulher cafezinho
Você pega quando passa
Não precisa nem pagar
Quase sempre é de graça
Tem na rua do mercado
Tem na barraca ao lado
Tem no botequim da praça

E a mulher cachaça
Doidona como ela só
Depois da terceira dose
Solta logo o fiofó
De todas que já citei
De todas que já provei
Para mim esta é a melhor

Cordel adaptado de um samba do Poeta e cantor Dicró.

31/01/2017

Carro, chuva e amor


Uma cerveja gelada
Uma conversa no barzinho
Planejei bem direitinho
Estava armada a cilada
Ela começou calada
Mas depois foi se soltando
O gelo foi se quebrando
Era tudo que eu queria
Imaginando o que viria
Meu tesão já aflorando

Um papo apimentado
Começou logo a rolar
Ela ria sem parar
Parecia está gostando
Meu tesão foi aumentando
Parece que ela notou
Minha mão ela pegou
Depois deu uma apertadinha
Liberou uma risadinha
E de mim se aproximou

Primeiro rolou um beijo
Depois foi a pegação
Eu senti sua pulsação
Pressenti o seu desejo
Aproveitei o ensejo
Resolvi logo falar
Não dá mais para esperar
Meu amor vamos pro carro
Depois de tirar um sarro
Cuidaremos de amar

Tudo estava conspirando
O tempo logo fechou
Pouco tempo demorou
E a chuva estava rolando
Eu fui logo me animando
E pro carro fui correndo
Eu querendo ela querendo
Sua roupa ela tirou
No meu colo ela sentou
Suspirando e gemendo

Pouco tempo demorou
Chegamos a exaustão
Com a chuva em profusão
Eu gozei ela gozou
Ela se realizou
Ao delírio eu cheguei
Ao pouco me levantei
Com meu corpo extasiado
Ela estava ao meu lado
Meu sonho realizei

02/12/2016

Sem nossa Chape querida


O destino a Deus pertence
Diz o ditado popular
Quem poderia imaginar
Que seria assim nonsense
Uma tragédia que nos vence
Viagem sem despedida 
Para quem perdeu a vida
Tudo isso aconteceu
O Brasil amanheceu 
Sem nossa chape querida

Acabou-se um time inteiro
Faleceram jornalistas 
Dizem as capas das revistas
Um desastre verdadeiro
Sangra o povo brasileiro
Por uma lança desferida
Numa equipe aguerrida
Que pra nós nunca morreu
O Brasil amanheceu 
Sem nossa chape querida

Chora pátria pungente
Lamenta os entes queridos
Pranteia os filhos perdidos
Não esquece tua gente
Levanta, vai em frente
Nunca se dê por vencida
Tu serás fortalecida
Pelo pranto que verteu
O Brasil amanheceu 
Sem nossa chape querida

25/08/2016

Os oitenta anos de Dona Ilda


Ilda Emidio Monteiro
Que rara felicidade
Chegar a esta idade
E completa por inteiro
Nosso Deus te abençoou
Desde os tempos de menina 
E também te coroou
Com bondade cristalina
Tem a proteção divina 
Quem aos oitenta anos chegou

Agradeça ao criador
A saúde que ele deu
A senhora mereceu
Este prêmio com louvor
Dificuldades enfrentou 
Desde quando pequenina
Até Deus elogiou
Sua garra feminina
Tem a proteção divina 
Quem aos oitenta anos chegou

Pra chegar a esta idade
Da maneira que chegou
É prova de que lutou
Com muita dificuldade
Tudo que já conquistou
Foi trabalho de surdina
Com sua braveza mostrou 
Muita garra e disciplina
Tem a proteção divina 
Quem aos oitenta anos chegou

Feliz do filho que tem
Uma mãe tão poderosa
Divina e alterosa
Amiga como ninguém
Nunca nos abandonou
Fez da luta uma rotina
Com seu nome nos honrou
Pela força que domina
Tem a proteção divina 
Quem aos oitenta anos chegou

06/07/2016

Rimas de vaquejada


Minha mãe quando eu morrer
Não quero choro nem nada
Quero uma jaqueta de couro
E uma camisa encarnada
Pra quando eu chegar ao céu
Me lembrar do escarcéu
Que eu fazia em vaquejada

Na vaquejada o vaqueiro
Tem três dias de lazer
A rede armada na sombra
Mulher pra lhe dar prazer
Cavalo bom pra montar
Forró do bom pra dançar
E cachaça boa pra beber

Se eu sair do meu sertão
E viajar pra bem distante
Vou lembrar a todo instante
Das perneiras e do gibão
Vou deixar de ser vaqueiro
Nunca mais serei guerreiro
Das terras de lampião

Nasci na baixa da égua
Me criei no meio do mundo
Tirei carta de malandro
Certidão de vagabundo
Dos pilantras acho graça
Pois só deixo de beber cachaça
Quando o copo cair o fundo

Quando eu ficar bem velhinho
E boi não puder correr
Vou passar para o meu filho
E pros netos depois saber
Que um dia eu já botei boi
E saberem todos que foi
Bonito pra nêga ver

Sou vaqueiro do nordeste
Puxar boi é meu destino
Sou o rei da vaquejada
Puxo boi desde menino
O que foi de bom garrote
Segurei pelo cangote
Derrubei pelo caminho

Meu destino é ser vaqueiro
Eu nasci para aboiar
Correr boi na vaquejada
Da poeira levantar
Não adianta dar estudo
Pra vaqueiro cabeçudo
Que nasceu pra galopar

Por causa de uma morena
Vaqueiro eu deixei de ser
Vendi o cavalo e a sela
E com ela fui viver
Joguei tudo para o lado
Esqueci que sou casado
Não nasci para sofrer

Vou partir para distante
E a morena vou levar
Porque é ela nova e bonita
Eu não posso abandonar
Qualquer homem se condena
Com um beijo de uma morena
Quando ela sabe beijar

A pinga é filha da cana
E neta do Satanás
Acaba o pai de família
Desmoraliza o rapaz
Setenta capeta juntos
Aliados a dez defuntos
Não faz o que a pinga faz

Na vaquejada tudo é destino
Boi na faixa ou eu no chão
Quando entro numa pista
Eu entro de coração
Esqueço até a mulher amada
Pois correr em vaquejada
É viver com emoção

Meu esporte é vaquejada
Amo mesmo de paixão
Todo dia eu deito e sonho
Botando o gado no chão
Acordo no outro dia
Radiante de alegria
Pra viver nova emoção

Ser vaqueiro é ser artista
Derrubar boi é uma arte
Correr numa vaqueijada
Da minha vida faz parte
Quando o boi está chão
Eu me encho de emoção
Levanto meu estandarte

O vaqueiro nasce forte
Tem a munheca pesada
Corre boi na pista estreita
E vibra com vaquejada
Por que sem festa de gado
E sem mulher ao seu lado
Vaqueiro não vale nada

Meu cavalo e minha mulher
Caíram num poço profundo
O cavalo eu tirei logo
Em menos de um segundo
A mulher eu deixei lá
Porque eu sei que vou encontrar
Muitas delas pelo mundo

Meu esporte é vaquejada
Meu cavalo é Alazão
Quando encosto na cancela
Bate forte o coração
Quando o boi é liberado
Passo a volta apressado
Resultado é boi no chão

Beber não é meu vício
Bebo não é por nada
Bebo por ver no copo
A foto da morena amada
Bebo por eu ter pena
E medo que a morena
Morra no copo afogada

A mulher quando é bonita
Pelo andar se conhece
Quando pisa na cidade
A terra toda estremece
O velho diz que beleza
Seria minha realeza
Se papai do céu me desse

A Mulher quando é bonita
Ela tem o seu valor
Deixa o homem enfeitiçado
Gemendo sem sentir dor
Sonha com ela na cama
Dizendo você me ama
Me mata fazendo amor

Se pai do céu me desse
Três coisas eu queria
Um cavalo bom de gado
Uma fazenda na Bahia
Uma égua que eu gostasse
Uma morena que me amasse
E beijasse todo dia

Minha mulher e meu cavalo
Fugiram no mesmo dia
Do cavalo sinto saudade
Da mulher sinto alegria
Pois cavalo bom pra montar
É difícil de encontrar
Mas mulher tem todo dia

Na vaquejada tem que ter
Sempre um bom sanfoneiro
Um carro de som potente
Um repentista toadeiro
Um locutor de inscrição
E uma mulher do cabelão
Pra alegria do vaqueiro

Saio de casa na quinta
Dirigindo o caminhão
Na sexta vou ao forró
E caio na curtição
No sábado uma descansada
No domingo é vaquejada
Pra deitar gado no chão

O patrimônio de um vaqueiro
É um bom chapéu de couro
Um troféu da cor de ouro
Um cavalo altaneiro
Soltar boa gargalhada
Correr numa vaquejada
Essa é a sua diversão

Quero morrer sem flores
Nem velas no meu caixão
Quero uma jaqueta encourada
Uma espora e um gibão
Quero espinhos na coroa
Para ser lembrança boa
Dos tempos que fui peão

Vaquejada é minha vida
Minha paixão é muié
Só bebo cachaça pura
E freqüento candomblé
E para eu ser bem lembrado
Eu quero ser enterrado
No meio do cabaré.

Vaquejada é minha vida
O boi é a minha paixão
Coragem eu tenho de sobra
Pra colocar boi no chão
Por isso vivo animado
Pois vaquejada, cavalo e gado
Moram no meu coração

Se um dia faltar gado
O meu desgosto é profundo
Se um dia faltar mulher
Será meu desgosto segundo
Mas se vaquejada faltar
Bem alto eu vou gritar
Deus pode acabar o mundo

Quando eu tinha 15 anos
Meu pai veio me perguntar
Meu filho diz teu desejo
Que eu quero te ajudar
Quero um cavalo arreado
Pois nasci pra puxar gado
Respondi sem nem piscar

Sou vaqueiro do nordeste
Minha vida é campeá
A porta do meu destino
É a porteira do currá
Meu aboio é um grito triste
Pelo mundo todo persiste
Que alegra e faz chorar

Gosto de derrubar gado
De ver a poeira subir
Meu prazer é puxar boi
E ver o gado cair
É um prazer que me consome
O povo gritar meu nome
E a multidão aplaudir.

Gosto de ver e adoro curtir
O cabra que é bom de gado
Correr na sela deitado
Sem deixar o boi fugir
Com o boi preso na mão
Na faixa dando-lhe um puxão
Vendo a poeira subir

Uma festa que dou valor
É festa de vaquejada
Uma bonita toada
E beijinhos no meu amor
Curto festa de mourão
Gado caindo no chão
E um vaqueiro puxador

A loira me dava carinho
Mas vivia sempre carente
Conheci uma morena
Dessas muito independente
Por causa dessa morena
Deus de mim tenha pena
Mudei tudo de repente

Os meus carros luxuosos
Causam inveja a muita gente
Só tomo wisky importado
Não bebo mais aguardente
Pra falar com precisão
A loira me dá tesão
A morena me dá presente

Há coisas nessa vida
Que nunca posso deixar
Correr boi, dançar forró
Beber cachaça e raparigar
E por eu não ter compromisso
Só largarei tudo isso
No dia que Deus me levar

Confirme e nunca diga talvez
Homem que bebe pinga
Cachorro que come ovo
Mulher que dá a primeira vez
Por mais que estude profundo
Não tem doutor neste mundo
Que tire o vicio dos três

Vaqueiro não tem conforto
Como muita gente tem
Trabalha ganhando pouco
Não aprende a falar bem
Mas vive do jeito que gosta
Derruba gado, faz aposta
Sem ter inveja de ninguém.

Vou dizer o que é putaria
Aprenda e não discuta
Não é o que você pensa
É um caminhão cheio de puta
Um viado no volante
Uma lésbica como amante
E um corno que não escuta

Nunca me assombro com nada
Sou um homem destemido
Coragem eu tenho de sobra
Sou esperto e atrevido
Se gostar de mulher for pecado
Reze por mim um bocado
Pois acho que estou perdido

No tempo que eu vadiava
Todo mundo me queria
Bebia, pintava o sete
Fumava, jogava e fudia
Hoje que não bebo mais
Nenhum amigo é capaz
De me ofertar um bom dia

Voltarei logo a fumar
Beber, jogar e fuder
Que é pra todo mundo ver
E saber me respeitar
Pois quem bebe fuma e fode
Tem dinheiro e tudo pode
Ninguém chegue a duvidar

Deixei de beber cachaça
Porque ela me ofendia
Onde eu bebia, eu sentava
Onde eu sentava, eu caia
Onde eu caia, eu deitava
Deitava e não levantava
Não levantava e dormia

Canta o galo no terreiro
Na selva manda o leão
O homem manda na casa
No mar manda o tubarão
A mulher que é minha amada
E festa de vaquejada
Mandam no meu coração

Ela de Saia pra cima
Eu de calça pra Baixo
O começo é euforia
O final é só relaxo
Mulher perde a virgindade
Se ela sentir de verdade
O poder do meu abraço

Vida de gado é assim
No parque de vaquejada
O vaqueiro recebe aplausos
Vindos da arquibancada
O boi é sempre atração
O vaqueiro o campeão
Nesta árdua empreitada

Fonte: http://vaquejada2013.blogspot.com.br/ p/frases-de-vaqueijada.html
Adaptadas para cordel por mim



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