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MINHA VIDA, MEUS CORDÉIS

Olha a peste da cachaça

 

Olha a peste da cachaça
Pense num bicho infeliz
Eu acho que sou feliz
Bebendo e achando graça
Na hora é boazinha
Mas quando é de manhãzinha
É ressaca da desgraça

Só cama, lençol e fronha
Passo o dia feito morto
Caminhando todo torto
E morrendo de vergonha
Cabelos despenteados
Os olhos avermelhados
Como quem fumou maconha

Fico rico e fico novo
Na rua me embriagando
Tô devendo, mas pagando
Cachaça pra todo povo
De tanto fazer besteira
Esqueço até da feira
Vou comer arroz com ovo

Vejam só como eu fico
Parece uma coisa louca
Com gosto ruim na boca
Como quem lambeu penico
Ou então não percebi
Pois parece que engoli
Uma brasa de angico

Agora tem um danado
Chamado de aplicativo
Que dele virei cativo
Depois de embriagado
Escrevo o que não queria
Mando pra quem não devia
Depois fico enrascado

A cachaça me engana
Bebida vou esquecer
Passo uns dias sem beber
Às vezes até semana
Quando passa o efeito
Vou pra rua satisfeito
E me afogar na cana

Vou calar minha matraca
Vou parar de escrever
Pra ninguém se aperceber
Que a minha carne é fraca
Vou sair devagarinho
Vou direto pro barzinho
Pra curar minha ressaca

Edimar Monteiro
30 de dezembro de 2025

Adaptado da internet

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LITERATURA DE CORDEL